15/12/15

O excesso no consumo de açúcar é prejudicial à saúde

Uso elevado do açúcar está associado a uma dieta de baixa qualidade e à obesidade


Açúcar refinado. Foto: Milda K

Gabriela Rocha
Blog da Saúde

Tal qual o sódio, o excesso de consumo de açúcar é muito prejudicial à saúde. O uso elevado da substância está associado a uma dieta de baixa qualidade, obesidade e risco crescente de doenças crônicas não transmissíveis. Existe uma grande preocupação em relação ao impacto deste consumo, especialmente àquele proveniente de bebidas açucaradas, no aumento do consumo calórico e na redução no consumo de alimentos saudáveis.

“A população consume muito açúcar. Tanto o que é adicionado, no suco ou em preparações como um bolo, como em alimentos industrializados, como refrigerantes. Além da diabetes tipo 2, contribui muito para obesidade. E ela acarreta um conjunto de doenças, como o câncer, aumento da pressão arterial e problemas osteomusculares”, explica Michele Lessa, coordenadora-geral de Alimentação e Nutrição do Ministério da Saúde.

Segundo dados da Pesquisa de Orçamento Familiar (POF 2008-2009), a população brasileira excede em mais de 50% o limite máximo de consumo de açúcar estabelecido pela Organização Mundial de Saúde (OMS). A recomendação atual é de que o consumo diário não ultrapasse 10% das calorias ingeridas diariamente, em uma dieta saudável. Maiores benefícios à saúde podem ser alcançados se o consumo diário de açúcar for reduzido para 5% das calorias ingeridas, o que representa cerca de 25g de açúcar por dia.

Entre os benefícios de se controlar a ingestão diária de açúcar estão a melhoria do controle do peso corporal, prevenção do sobrepeso e obesidade, doenças crônicas não-transmissíveis, em especial o diabetes e a diminuição de cáries dentária.

O açúcar presente naturalmente nas frutas, verduras, legumes e leite fresco não devem ser computados nesta restrição. A ingestão destes alimentos in natura deve ser promovida e estimulada para toda a população, em todas as faixas etárias.

Outro item muito consumido são os refrigerantes. Além de não possuírem valor nutricional, a participação deles na média calórica oriundas de açúcares de adição nas áreas metropolitanas no Brasil aumentou de 6,1% em 1987 para 18,8% em 2003, ou seja, além do aumento do consumo total de açúcar no país, a participação destas bebidas praticamente triplicou. Números da POF 2008-2009 também estimam que refrigerantes e sucos adoçados respondam por 42,6% da ingestão de açúcar livre.

O cuidado com a ingestão de açúcar deve começar desde a infância. Sabe-se que a criança nasce com preferência para o sabor doce, por isso a adição é desnecessária e deve ser evitada nos primeiros anos de vida. Além disso, alimentos ultraprocessados como refrigerantes, sucos industrializados, bolos prontos, bolachas industrializadas, como maisena, leite, maria, água e sal e recheadas, bebidas lácteas, guloseimas, achocolatado, pães industrializados, entre outros, não devem ser oferecidos às crianças menores de 2 anos e evitados pelas crianças e adolescentes no geral.

Michele Lessa ensina como diminuir o consumo de açúcar no dia a dia. “O primeiro passo é a redução do açúcar adicionado. Reduzir a adição no suco e diminuir a quantidade também nas preparações. Por exemplo, ao fazer um bolo, não completar uma calda açucarada ou um recheio de doce leite. Além disse seguir as orientações do Guia Alimentar para a População Brasileira, que indica como base da alimentação produtos naturais e minimamente processados, evitando os alimentos ultraprocessados”, disse.

Saiba quais são os diferentes tipos de alimentos:

  • Alimentos in natura: essencialmente partes de plantas ou de animais. Ex: carnes, verduras, legumes e frutas.
  • Alimentos minimamente processados: quando submetidos a processos que não envolvam agregação de substâncias ao alimento original, como limpeza, moagem e pasteurização. Ex: arroz, feijão, lentilhas, cogumelos, frutas secas e sucos de frutas sem adição de açúcar ou outras substâncias; castanhas e nozes sem sal ou açúcar; farinhas de mandioca, de milho de tapioca ou de trigo e massas frescas.
  • Alimentos processados: são fabricados pela indústria com a adição de sal ou açúcar a alimentos para torná-los duráveis e mais palatáveis e atraentes. Ex: conservas em salmoura (cenoura, pepino, ervilhas, palmito); compotas de frutas; carnes salgadas e defumadas; sardinha e atum de latinha, queijos e pães.
  • Alimentos ultraprocessados: são formulações industriais, em geral, com pouco ou nenhum alimento inteiro. Contém aditivos. Ex: salsichas, biscoitos, geleias, sorvetes, chocolates, molhos, misturas para bolo, “barras energéticas”, sopas, macarrão e temperos “instantâneos”, “chips”, refrigerantes, produtos congelados e prontos para aquecimento como massas, pizzas, hambúrgueres e nuggets.

Conheça os dez passos para uma Alimentação Adequada e Saudável:

  1. A base da alimentação deve ser feita por alimentos in natura ou minimamente processados
  2. Utilizar óleos, gorduras, sal e açúcar em pequenas quantidades ao temperar e cozinhar alimentos e criar preparações culinárias
  3. Limitar o consumo de alimentos processados
  4. Evitar o consumo de alimentos ultraprocessados
  5. Comer com regularidade e atenção, em ambientes apropriados e, sempre que possível, com companhia
  6. Fazer compras em locais que ofertem variedades de alimentos in natura ou minimamente processados
  7. Desenvolver, exercitar e partilhar habilidades culinárias
  8. Planejar o uso do tempo para dar à alimentação o espaço que ela merece
  9. Dar preferência, quando fora de casa, a locais que servem refeições feitas na hora
  10. Ser crítico quanto a informações, orientações e mensagens sobre alimentação veiculadas em propagandas comerciais

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